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O desenvolvimento espiritual da alma folclórica celta - Parte 1

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Conteúdo

  1. Celtas
  2. Hiperbóreos
  3. Mistérios de Trotten
  4. Druidas
  5. Tríade
  6. Espiritualidade
  7. Druidas e cromeleques
  8. Righ nan Dul
  9. Santuários
  10. Cruzes Celtas
  11. Bardos
  12. A palavra
  13. Vates
  14. O Outro Mundo
  15. Ossian
  16. A iniciação da Cormac Mac Art
  17. Hu, Ceridwen e os Mistérios de Hibernia
  18. Taliesin

 

 

Fragmento d'A Canção do Grande Mundo:

 

Adorarei a meu Pai,

Meu Deus, minha força,

Aquele que insuflou em minha cabeça

uma alma para me servir de guia.

 

Aquele que fez minhas sete faculdades de percepção,

A partir do fogo e da terra,

Da água e do ar,

E da névoa e das flores,

E do vento sul.

 

O Livro de Taliesin - Kanu y Byt Mawr1

 

Introdução

Muito tem sido escrito sobre os celtas e realmente é um assunto que interessa a todos, homens e mulheres. Mas sobre a espiritualidade do povo celta há muito menos publicações – e é precisamente sobre isso que gostaríamos de chamar sua atenção.

Os celtas eram um povo feroz e guerreiro, mas também tinham um lado distinto: eram muito espirituais. Para compreender seu estado de espírito, devemos levar em conta que sua consciência era bem diferente da do homem moderno. Depois de passarem por longos períodos de treinamento, os líderes espirituais do povo celta adquiriam capacidades de clarividência. Em seus templos, que muitas vezes ficavam no alto de florestas de carvalho, eles tinham o poder de entrar em contato com os deuses.

Também é importante ter em mente que a linguagem escrita ainda não existia.

Tudo era aprendido e memorizado, decorado – e eles usavam um método especial para fazer isso, que abordaremos mais tarde.

Sabemos bastante sobre os celtas por causa dos bardos, que mais tarde escreveram muitos de seus hinos, canções e cânticos de louvor.

 

Celtas

Os celtas são descendentes dos indo-alemães e formam uma raça intimamente relacionada com os povos germânicos.

Keltoi é derivado da antiga palavra irlandesa celt, que significa "capa" ou "vestimenta" – que criava um contraste com os povos seminus não arianos da Europa central e ocidental.

Os celtas eram originalmente altos e esbeltos, com cabelos loiros ou ruivos e olhos azuis Eles migraram ao longo do Danúbio e do Mar Negro para a Grécia, Bálcãs, Itália, Espanha e Portugal. Após invadir toda a França (Gália) e parte da Península Ibérica, eles se espalharam pelos territórios ultramarinos da Grã-Bretanha e Irlanda. Embora eles fossem minoria na Irlanda, sua nacionalidade ativa levou a uma "celtização" da ilha.

Basicamente, a população celta originária forma a base de toda a população europeia, e a herança dos antigos celtas corre por todo o sangue europeu.

Os celtas sempre demonstravam certo respeito pelas tradições religiosas locais e às vezes as integravam em sua própria cultura. Assim, com sua cultura inventiva e sensível, transplantaram seus próprios ensinamentos druídicos para a população mais antiga e megalítica da Europa ocidental. Esse "transplante" valeu a pena, como fica evidenciado pelo enorme florescimento cultural que os celtas provocaram.

Os celtas só chegaram às regiões ocidentais entre 1000 e 500 a. C.: por volta de 800 a.C chegaram ao sul da França e da Espanha; em 500 a.C chegaram à Grã-Bretanha; e, nos séculos seguintes, expandiram-se para a Escócia, País de Gales e Irlanda. Apesar das diferenças linguísticas, esses povos da região oeste da França, da Irlanda, da Inglaterra e da Escócia formaram uma grande entidade celta.

Na vida exotérica, os celtas eram conhecidos por sua imensa crueldade: para eles, a vida tinha pouco valor e a única coisa que importava era a morte de um herói. Eles lutavam pelas mínimas coisas. A era heroica dos reis irlandeses, por exemplo, é uma longa ladainha de guerras entre eles e explica, em parte, o espírito de luta dos irlandeses de hoje.

Alexandre, o Grande, perguntou uma vez aos celtas o que eles mais temiam. Eles lhe disseram: “Nada. Tememos apenas uma coisa: que o céu caia sobre nossas cabeças”. E não diziam isso para se vangloriar por não temerem nada, mas sim por temerem o céu com suas estrelas, sol e lua: essa era a verdade. Seu medo da terra, da água e do ar era igualmente grande, pois eles conheciam tanto os poderes gigantescos do céu estrelado quanto os poderes dos elementos do mundo terrestre. Os druidas utilizavam seus conhecimentos e sua experiência para aprisionar e apaziguar os elementos e, se possível, subordiná-los aos seres humanos. 

Entretanto, os celtas também tinham outro lado que contrastava fortemente com seu espírito de luta: eram muito espirituais.2

Para compreender adequadamente os celtas, é preciso estudar a liderança espiritual desse povo – e essa liderança era entregue ao sábio iniciado: o druida. Os druidas tinham tanto poder que estavam acima do rei! Por isso, a mais alta autoridade foi concedida à classe druida dominante – e isso diz muito sobre o interesse espiritual dos celtas!

Entre os celtas, havia pessoas que podiam perceber os elementos dos seres na natureza como hoje vemos a esfera material. O mundo dos elementos, da água e da terra não estava fechado para eles e havia contato direto com os espíritos da natureza – e eles falavam sobre isso do mesmo modo como falamos sobre árvores, plantas, montanhas e nuvens.

Todos os primeiros líderes da humanidade no segundo e terceiro períodos culturais pós-atlânticos foram capazes de perceber a natureza suprasensorial porque podiam separar seu próprio corpo etérico de seu corpo físico. Desse modo, esse corpo etérico torna-se portador de certos poderes transcendentes e o resultado é a clarividência, que era usada pelos líderes espirituais dos celtas, os druidas.

Podemos nos perguntar: “Em que os druidas celtas se inspiraram?”. Mas isso será explicado no próximo capítulo.

 

(Continua na parte 2)

 

 

  • 1. Haycock, Marged [ed. e tr.], "Legendary Poems from the Book of Taliesin", Aberystwyth: CMCS Publications, 2007.
  • 2. Rudolf Steiner: "Der Zusammenhang des Menschen mit der elementarischen Welt", GA 158 (1993), (inglês: rsarchive.org) e "Exkurse in das Gebiet des Markus-Evangeliums", GA 124 (1995), (inglês: rsarchive.org).
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