Rebirth

O renascimento e a transformação espiritual

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Transformação significa mudar de forma. Ou seja: é um processo de metamorfose. Na natureza, vemos muitos tipos de metamorfose. As mudanças de estado pelas quais a água passa, conforme a temperatura, podem ser consideradas transformações. Há, porém, exemplos de impacto muito maior, como o da lagarta que se transforma em borboleta, citado por diversas escolas espirituais para simbolizar a passagem de um ser terrestre para um ser celeste, completamente diferente do primeiro. É uma verdadeira transmutação: a lagarta se apoia na terra para tentar vislumbrar o alto. A borboleta se abre para o alto e percebe um novo e amplo espaço para uma nova vida.

Três fases podem ser consideradas nesse processo de transformação espiritual: o estado de consciência natural – a lagarta; o embrião de uma consciência voltada para o autoconhecimento interior –  o casulo; e por fim, já não há lagarta nem casulo – a borboleta está livre para voar.

A primeira fase – a da lagarta – simboliza a vida cotidiana, com suas preocupações particulares de sobrevivência, em meio a um caldeirão de pensamentos e vontade, sentimentos e desejos, ações e reações, em total desarmonia.

Já a segunda – a do casulo – é um período de desmascaramento de seu eu e de autoconhecimento do ser real. É a certeza intuitiva de que há algo que vai além de uma vida cotidiana desprovida de sentido interior: um princípio espiritual que transcende sua consciência natural. Reconhecer essa possibilidade é como acender uma pequena vela em um quarto escuro – e, assim, você passa a ter lampejos para observar seus pontos cegos e começa a ver que você é muito mais do que um simples “eu”: é um pequeno mundo ligado ao universo. A partir dessa luz, você passa a observar a si mesmo com objetividade, sem julgamento, e percebe como você cria e mantém seus apegos em um círculo de repetição de hábitos e automatismos subconscientes. Você chega ao limite das possibilidades de sua consciência: assim começa sua busca. Logo você começa a sentir um princípio de novo ânimo, o embrião de uma nova alma.

É assim que você se prepara para “virar borboleta”. É sobre essa fase que vamos falar mais detalhadamente.

No início, a crisálida ou casulo não sabe bem o que é, nem tem forças para voar. Para ela, tem início uma profunda transformação: ela já não rasteja à procura de alimento para sobreviver, mas ainda não sabe o que é ser uma borboleta. Volta-se para seu interior e se pergunta: “Qual será a minha função nesse mundo? Que instrumentos eu tenho para viver nele? Como vou interagir com os outros seres que vivem por aqui?”

De repente, ela se dá conta de que morreu como lagarta, voltou-se para o interior de seu casulo que, por sua vez, deixou de existir para dar lugar a uma nova vida: a borboleta. Transformou-se, transmutou-se, transfigurou-se, renasceu!

Assim é o caminho que vamos abrindo conforme caminhamos.

Primeiro, ultrapassamos nossa consciência natural, baseada em valores meramente culturais, assimilados em nossa educação ou crenças herdadas da família. Nossa alma ainda é mortal, mas deixamos de rastejar atrás da sobrevivência e nos tornamos pesquisadores. Ainda somos lagartas, mas agora rastejamos atrás de alimento espiritual, de transcendência. Fazemos perguntas, procuramos respostas nas várias escolas de consciência. Aprendemos a nos voltar para dentro, para dentro de nosso casulo. Podemos ficar anos nessa inquietação, entre o passado conhecido e o desconhecido que está por vir.

É essa inquietude que move a crisálida a entender que a borboleta voa porque atirou-se, entregou-se ao desconhecido, já de alma nova. E o desconhecido é o indizível, o inefável, o eterno - que não tem começo nem fim. Na verdade, o desconhecido é a volta à Unidade. Unidade de corpo-alma-Espírito. Unidade com o mundo como um todo. Unidade com todos os seres. Unidade com o Uno original.

Isso não quer dizer que você deva ficar esperando esse processo de transfiguração, como se o renascimento de sua vida interior pudesse ocorrer um belo dia, ou por meio de uma experiência mística ou imagens. Pelo contrário, essa transformação requer um esforço diário que gera novos insights a partir da centelha do Espírito.

A transformação é consequência do nascimento de uma consciência completamente nova, que se percebe a si como parte e todo - como uma gota que se dissolve no oceano e é o próprio oceano. Não há mais a velha consciência de separatividade de você mesmo em relação a tudo o que o cerca. O ser humano, como filho da Terra (o cosmo), é um pequeno mundo ou microcosmo. Nessa transformação, o microcosmo une-se ao mundo e à humanidade, ao cosmo e ao macrocosmo (o Universo). E no centro de tudo, do microcosmo, do cosmo e do macrocosmo, encontra-se a centelha do Espírito, que é onipresente.

Esse novo ser humano pensa, sente e age em unidade com outros seres humanos que, como ele, já têm uma alma nova, ligada ao Espírito. E é em unidade de grupo que ele formará comunidades voltadas para desenvolver sua principal característica: servir com Amor, em total liberdade. Servir em todos os níveis: às personalidades, às almas com consciência natural, às novas almas, às almas-Espírito.

Como lemos no livro Transfiguração e Transmutação [1]:

A vida divina quer propagar-se, quer compartilhar, quer entregar-se, pois a vida divina é o amor, e o amor é a chave da liberdade. É o amor que dá, sem nada esperar em troca, e neste dar está oculta a realidade da transfiguração. Pois, que outra coisa é a transfiguração senão dar o velho para que nasça o novo?

 

Referências

FREIJO, Francisco Casanueva. Transfiguração e Transmutação. 1. ed. Jarinu,  SP: Pentagrama Publicações, 2017.

DE PETRI, Catharose. O Verbo Vivente. 1. ed. Jarinu, SP: Editora Rosacruz, 2006.

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